quarta-feira, 23 de março de 2011

Saúde

Nova pílula, menos reações

Quando surgiu, nos anos 50, a pílula anticoncepcional causou um grande impacto social, impulsionando a partir daí mudanças comportamentais na sociedade, sendo o estopim da emancipação feminina e da chamada “revolução sexual” nos anos 70. Com ela, a mulher libertou-se do espectro da gravidez indesejada, entre outros avanços. No início, o seu papel primordial era mesmo o do planejamento familiar, mas com o tempo as mulheres passaram a querer mais do medicamento, desejando a redução de suas reações adversas e em busca de benefícios adicionais.
divulgação
Nova pílula lançada pela Bayer é a primeira no Brasil com formulação à base de hormônio naturalEsses anseios têm contribuído servido para aprimorar cada vez mais a pílula anticoncepcional. Sintonizada com esses anseios femininos, a Bayer HealthCare Pharmaceuticals lançou este ano no Brasil a Qlaira, um contraceptivo oral combinado, com formulação inédita no por aqui. Isso porque o medicamento é a base de hormônio natural, o que reduz as contraindicações e reduz ao máximo o sangramento do fluxo menstrual. O TN Família esteve em São Paulo, na última terça-feira, a convite da Bayer, participando de uma entrevista coletiva sobre a nova pílula e do lançamento de uma pesquisa inédita sobre o comportamento feminino em relação à pílula.
“De forma geral, os resultados mostram a mudança de estilo de vida da mulher moderna, apontando que o uso do anticoncepcional oral é mais comum entre mulheres jovens, com média de 30 anos e solteiras, algo muito diferente do perfil da usuária de pílula nas décadas de 60 e 70, por exemplo”, comenta Afonso Nazário, chefe do Departamento de Ginecologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Confira na  página 3 outros dados apontados pela pesquisa.
A formulação da nova pílula deixa de usar o etinil-estradiol, hormônio semi-sintético, e pela primeira vez utiliza um estrogênio natural — produzido pela mulher a partir da adolescência —, combinando valerato de estradiol e dienogeste. O primeiro é um estrogênio que, ao ser absorvido pelo corpo, torna-se uma molécula idêntica ao hormônio produzido pelo organismo feminino.
“A grande vantagem de um contraceptivo oral com estrogênio natural é que o organismo feminino já adaptado para receber este componente e isso reduz as possibilidades de impactos metabólicos negativos que poderiam surgir”, explica César Eduardo Fernandes, médico e professor de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina do ABC (SP) e presidente da Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Estado de São Paulo.