segunda-feira, 30 de maio de 2011

Economia


Construção civil aquece e quer mais profissionalização

Se os inúmeros canteiros de obras espalhados pela cidade, seja para a construção de prédios residenciais ou para obras de infraestrutura, dão mostras de que o mercado da construção civil se mantém aquecido, é por trás, ou melhor, em meio a eles que se vê a transformação pela qual o setor passa nos últimos anos. Diferente do que ocorria há algumas décadas, quando o pedreiro era “formado” em meio ao trabalho braçal puxado, a urgência das obras somada ao avanço e emprego de novas tecnologias em maquinário e métodos - que mudaram o ambiente e a rotina dos canteiros - demanda também uma maior qualificação  dos profissionais do setor.
A falta de planejamento para atender este crescimento, entretanto, abriu vaga para a escassez de mão de obra qualificada enfrentada pela construção civil e força empresas e profissionais a correrem para se adaptar a nova realidade. Para esse ano, o  Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima em  40.971 a oferta de mão de obra qualificada e com experiência profissional no setor, somente no Rio Grande do Norte. As análises do Instituto apontam ainda para um déficit de 119 vagas.
Mas o número pode ser bem maior, se levarmos em consideração a previsão de empresas e centros de formação, de qualificar cerca de 12 mil profissionais para os próximos três anos. O número, observa o presidente do Sindicato da Construção Civil, Sílvio Bezerra, deve suprir as necessidades de mercado do setor imobiliário e ainda as perspectivas de obras para a realização da Copa do Mundo de 2014, de mobilidade, do aeroporto e dos parques eólicos.
O cenário promissor motivou o cortador de paralelepípedos Juarez Siqueira de Moura, 50 anos, a mudar de profissão. Há um mês e meio, ele iniciou um curso de pedreiro e pretende melhorar em 100% o rendimento mensal de R$ 800,00 pelo trabalho na pedreira. Isto porque, embora o piso salarial da construção civil (com reajuste de 15% esse ano) seja de R$ 702,00, a produtividade eleva o rendimento  entre R$ 1,2 mil a R$ 2 mil. “Já trabalhei em vários setores, mas vejo que este tem uma chance maior de melhorar de vida”, diz o morador de Macaíba.