quarta-feira, 13 de julho de 2011

Brasilia


No rumo da impunidade

O diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), Luiz Pagot, negou tudo: não existe superfaturamento de obras no Ministério dos Transportes, muito menos pagamento de propina a membros do PR. Ou seja, apaga tudo que foi publicado pela imprensa nos últimos dias, inclusive a exoneração do ex-ministro Alfredo Nascimento e o afastamento do próprio Pagot do comando do Dnit. Eles são inocentes, meninos bobinhos, inofensivos. O depoimento de Pagot no Senado, ontem, na verdade, foi o repeteco do filme que o país assinou nos oito anos do governo Lula: a cada escândalo, ninguém sabia de nada, não via nada e não ouvia absolutamente nada. Lixo para debaixo do tapete e tudo voltava ao normal. Ora, francamente, afirmar que o Ministério dos Transportes, ocupado pelo PR, não superfaturou obras das rodovias e ferrovias é uma agressão à honestidade e profunda falta de respeito ao cidadão brasileiro.
O próprio governo se assustou com a ganância do PR, que mandou as favas à cúpula do partido encastelada na pasta dos Transportes. Não fosse assim, o norte-rio-grandense Alfredo Nascimento continuaria pilotando o ministério, Pagot estaria firme no Dnit e o PR permaneceria cuidando dos milhões de reais das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2). Ademais, nada custa lembrar que no Rio Grande do Norte, numa ação da Polícia Federal, a operação “Via Ápia” colocou na cadeia a cúpula regional do órgão, apadrinhada pelo deputado federal João Maia, líder do PR, quando espalmava propina de empresário do Paraná. Até cheque assinado por João foi apreendido pela PF e até hoje sem uma explicação plausível. Pois bem. Tivemos ontem, no Senado, mais um capítulo da nociva novela da corrupção no país, onde seus personagens – com raríssimas exceções – têm um final feliz, assim como nas tramas da Vênus Platinada. E assim caminha o Brasil, da corrupção ao teatro, em desrespeito ao seu povo.
Por César Santos De fato.com