sábado, 24 de setembro de 2011

Triste Argumento

Largada no ringue

Ontem, em Mossoró, para confirmar o nome da deputada Larissa Rosado à sucessão municipal de 2012, a ex-governadora Wilma de Faria (PSB) rogou para as pessoas compararem o seu governo com o da atual governadora Rosalba Ciarlini (DEM). Um pedido sem sentido. Exercício seria irracional. Até pelo tempo. Como comparar a gestão de sete anos e três meses de Wilma, que correspondem a dois mandatos ininterruptos, com o período de menos de nove meses de Rosalba? A comparação só seria justa no final da gestão Rosalba – de preferência, com o mesmo tempo de governo a que Wilma teve direito. Ademais, ao sugerir o julgamento popular, a ex-governadora não levou em conta que isso já foi feito nas eleições do ano passado, quando ela foi preterida nas urnas. O eleitor reprovou a sua gestão, impedindo o seu ingresso no Senado Federal. O seu candidato ao Governo também foi derrotado, numa prova de que a sua administração estava desaprovada. Leitura de simples entendimento. A própria Wilma sabe disso. Mas, por que o discurso de ocasião? Necessidade de sobrevivência.
 A líder socialista está tentando se levantar do nocaute de 2010 agora – ainda grogue – e precisa de um ponto de debate para ocupar espaços na mídia. Para aparecer, no duro. Puxar Rosalba Ciarlini para o ringue, a melhor opção. No entanto, é provável que a governadora aceite a peleja sem futuro. Certamente, deixará Wilma brigando sozinha. O início difícil de gestão, com o cofre quebrado e problemas em todas as áreas da máquina administrativa, exige de Rosalba a atenção exclusiva na solução da crise. Isso ela tem feito, não sobrando tempo para o bate-boca menor, muito menos para aceitar uma queda de braço com quem está definhando politicamente. Sem futuro. É igual a brigar com bêbado: se vencer, cumpriu apenas o dever; se perder, sai desmoralizado porque foi abatido por um bêbado.
César Santos-Defato.com